Deputados e lideranças do Partido dos Trabalhadores divulgaram nesta quinta-feira 3 imagens de nove gabinetes de parlamentares da sigla na Câmara dos Deputados que foram, como afirmam, invadidos por autoridades federais durante a posse do presidente Jair Bolsonaro, no último dia 1º.

As salas teriam sido ocupadas por agentes da Polícia Legislativa e outras forças de segurança, tudo de acordo com o esquema de segurança montado para a posse do novo presidente. A Carta Capital procurou a Polícia Legislativa para comentar o assunto, mas não teve resposta a até a publicação desta reportagem.

O líder da Bancada do PT, deputado Paulo Pimenta (RS), cobrou da Presidência da Câmara explicações sobre o corrido. Segundo ele, a entrada nos gabinetes não teve a autorização dos congressistas nem da liderança do partido.

Além do gabinete do líder Paulo Pimenta, o partido diz que foram invadidos os gabinetes dos deputados Josias Gomes (BA),  Leonardo Monteiro (MG),  Luiz Couto(PB), Odair Cunha (MG),  Patrus Ananias (MG),  Pepe Vargas (RS),  Rejane Dias (PI) e  Waldenor Pereira (BA).

Segundo o PT, os funcionários desses gabinetes informaram não terem recebido nenhum comunicado prévio, quer por telefone, e-mail ou método similar. Os parlamentares titulares de cada um desses gabinetes também informam o não recebimento de qualquer comunicado nesse sentido.

O deputado Odair Cunha afirmou que em seu gabinete houve parafusamento das janelas e persianas, e mesas e gavetas foram revistadas. “Isso vulnerabiliza o Congresso Nacional em nome de uma ‘histeria coletiva de segurança”, criticou o parlamentar.

“Sob o pretexto de você não ter ‘snipers’ nas janelas, o que deveria ser impedido pela Polícia Legislativa, você admite que se invada gabinetes de parlamentares. Com isso, você pode inventar qualquer coisa! E a prerrogativa dos deputados? Quem garante que não colocaram ou tiraram coisas do meu gabinete?”, questiona Odair, que registrou a queixa na polícia da Câmara.

Partido quer saber nome de quem deu a ordem

No documento encaminhado à Presidência da Casa, Paulo Pimenta afirma que “diante da gravidade do que se relata, das imunidades e prerrogativas de que gozam cada um dos membros do Poder Legislativo e, também, da especial proteção jurídica atribuída aos escritórios profissionais (como extensão do conceito normativo de “casa”, assim considerado qualquer compartimento, não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou atividade), o líder da bancada  quer saber o nome da autoridade que expediu a ordem de acesso aos gabinetes parlamentares; motivos para a referida ordem; e a relação de todos os gabinetes em que a ordem foi executada”.

Outros parlamentares da legenda utilizaram suas redes sociais nesta quinta para criticar a invasão. A deputada Margarida Salomão (MG) afirmou: “Deixa flagrante a impressão de que o governo poderá monitorar clandestinamente a oposição. Resta saber se a Câmara participou da invasão. Confirmada, essa ‘parceria’ é mais um risco para a democracia no País”.

No Twitter, o deputado Décio Lima (PT-SC) escreveu: “Mas Bolsonaro não disse que ditadura são os governos socialistas? Que eu lembre em nenhum governo do PT se perseguiu a oposição”.

O deputado Leonardo Monteiro, um dos que teve o gabinete ocupado, lamentou: “Usar o pretexto de segurança para invadir gabinetes parlamentar é preocupante e inaceitável. Isso fere a autonomia dos poderes e representa um desrespeito não só aos parlamentares, mas à democracia brasileira. Fizemos boletim de ocorrência para que essa invasão seja investigada!”.

fonte: Carta Capital

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