Intervenção do presidente da CUT, Artur Henrique, na Mesa Redonda com chefes de Estado de vários países, organizada pela Rio+20 nesta quinta-feira (21) no Rio Centro:

 O movimento sindical veio até a Rio + 20 com uma agenda muito clara:

Não alcançaremos um desenvolvimento sustentável se não tivermos trabalho decente, direitos garantidos e justiça social e ambiental.

Esperamos compromissos concretos na implementação de um piso proteção social para todos e uma estratégia de trabalho decente.

O modelo de produção e desenvolvimento baseado no lucro e no poder do setor privado sobre o interesse público é a principal barreira para o desenvolvimento sustentável. E vemos com profunda preocupação as decisões aqui no Rio, que não propõem mudanças do modelo de produção e consumo, que integre a variável social e ambiental acima dos interesses econômicos de curto prazo.

É preciso que, nos debates das metas do desenvolvimento sustentável, a base seja os direitos dos cidadãos, direitos humanos, direitos laborais, de gênero, direito a água, a alimentação, a saúde e a educação.

É preciso ser muito mais ambicioso nos objetivos do desenvolvimento sustentável: ser humano morrendo de fome não é sinônimo de justiça social. Portanto, a erradicação da miséria, a redução das desigualdades, o trabalho decente e a proteção social têm que ser prioridade.

É terrível ver a falta de vontade de alguns governos de construir uma governança global sólida. Os trabalhadores não querem competir para ver quem tem o emprego mais precário, o ambiente mais contaminado para ganhar um ponto a mais no PIB – Produto Interno Bruto. Só uma regulação a nível mundial pode ajudar a construir as bases de um mundo mais justo e sustentável.

Mas é preciso perguntar com que recursos países pobres no Caribe e na África poderão financiar a proteção social, implementar a agenda do trabalho decente da OIT, garantir a capacitação e a transferência de tecnologia para uma transição justa de um modelo de desenvolvimento para o outro.

Dizem que não existem recursos para criação de um fundo de desenvolvimento sustentável, mas tem para o FMI salvar bancos. Por que,então, não aprovar o Imposto sobre Transações Financeiras?

O movimento sindical continuara mobilizado para dizer que só haverá sustentabilidade se cuidarmos do meio ambiente, só haverá sustentabilidade se houver mudança do modelo e esse processo só será democrático se houver participação social, diálogo e negociação com os trabalhadores.

Fonte: CUT

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